quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Taça e a Mordida - Conto, por Jorge Soares


Esperava que Emily Fox já estivesse no clube Lua vermelha, mas me vi sozinho num lugar estranho. Pessoas bem vestidas, boa comida, som agradável e uma taça de vinho em minha mão, com um gosto estranho, nem parece vinho, parece suco de uva sem açúcar.
O telefone toca, é ela. Atendo e ela diz que já está a caminho. Viro para o lado e vejo um amigo que não via a algum tempo.
- Marcus! - Eu grito - Marcus é você mesmo.
Ele esta diferente da ultima vez que eu o tinha visto. Roupas pretas e olhos como se fossem duas bolas de gude amarelas.
Chego perto dele, mas ele parece não me reconhecer.
- Oi amigo, não lembra mais de mim. Sou eu o Natanael.
Mas acho eu que ele não lembra. Olha-me meio que com raiva e cara fechada em seguida me dar de ombros. Nessa hora Emily chega.
- Já era tempo. - Eu digo deixando a taça sobre o balcão do bar.
- Desculpe a demora, tive que resolver um assunto antes de vim para cá - Disse ela, vestida de preto e com olhos diferentes assim como do meu amigo.
- Tudo bem! - Dei uma olhada 180° e percebi que todos estavam com roupas iguais, menos eu, que estava de camisa branca. - Até que não demorou muito.
- Já pediu alguma coisa para beber? 
- Pedi sim, mas aqui só tem vinho pelo que parece. - Respondi pegando minha taça do balcão.
- É verdade. - Ela pega uma taça pra ela também. - Então vamos brindar.
- O que? - Perguntei. 
 Não tinha muita coisa para brindar, conheci ela através de um amigo a mais ou menos uma hora atrás em outra festa. Estávamos falando que eu não acreditava em coisas sobrenaturais, quando ela apareceu e me deu seu cartão e o endereço desse Club onde estamos agora. Assim do nada, perguntei para meu amigo que estava comigo na festa se ele conhecia, ele respondeu que tinha visto algumas vezes. Resolvi liga e marcar de ir ao clube com ela minutos depois de uma rápida conversa com ela. Sou do tipo que não dispenso um convite pra melhorar a noite de sexta, ainda mais vindo de uma mulher como ela cabelos negros e um batom vermelho.
- Vamos brindar o nosso futuro. - Ela disse e encostou sua taça na minha. - Agora beba.
Dei mais um gole naquele vinho ruim, quando um cara esbarra em mim e me derrama de vinho do pescoço ao peito, deixando minha camisa branca com uma mancha vermelha.
- Deixa que eu limpo para você. - Ela se oferece pegando lenço de papel. - Abra a camisa.
Abro a camisa e ela passa o papel em meu peito, aproxima a boca no mesmo e vai subido para meu pescoço.
- O que esta fazendo? - Pergunto um pouco desconfiado porem gostando.
-Relaxa, não vai doer nada.
Sem motivo algum ela me morde no pescoço. Uma dor inexplicável. Olho para o lado e vejo todos olhando para a cena: "Uma mulher mordendo o pescoço de um homem" 
Eles parecem gosta até meu amigo. E aí que eu percebo os mesmos dentes que agora me perfuram o pescoço, saem da boca de todos, e vem em minha direção. Grito e peço ajuda para meu amigo, mas é obvio que ele é um deles.
Não consigo mais aguentar e dou um grito de dor e fecho os olhos.
Ao abrir os olhos estou em minha cama no meu apartamento, já é de manhã, vou até a janela, mas antes de abri-la vejo minha taça na escrivaninha com um bilhete.

"Voltarei pela manhã e
Cuidado com o sol"
Emily 

Por que eu teria que ter cuidado com o sol? Eu me pergunto. Abro a janela e o sol parece. Está mais quente do que de costume, ele me queimando por dentro, tento fecha a janela, mas a luz já invadiu o quarto. Ajoelho-me.
Ela chega, olho para ela e peço ajuda, levanto minha mãe em sua direção, mas só escuto uma palavra antes de fechar os olhos para sempre, sem nem entender o porquê daquilo esta acontecendo.
- Eu avisei para ter cuidado com o sol meu amor.
A poucos minutos de me ver morto percebo a mordida em meu pescoço e os dentes iguais a de todo mundo naquele Club da noite anterior saindo da minha boca. Caio no chão de vez e pergunto a ela:
- O que você me transformou?
- Você seria o meu eterno amor. Mas agora vou ter que vê-lo morrer. Uma pena que não vamos ficar juntos, Afinal, Vampiros vivem eternamente se não saírem no sol. Adeus Natanael.

Ela pega a taça e sai do meu apartamento vendo as minhas cinzas sumirem ao vento.

Fim



2 comentários:

  1. Oi Jorge!! Parabéns pelo conto!! gostei muito mesmo, trama intrigante e com uma reviravolta final surpreendente!!
    Ass: Johnny Mou

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